A Igreja do Carmo, de construção iniciada em 1635, é uma das muitas que atualmente se resume só ao templo religioso. Contudo, em tempos remotos pertenceu ao conjunto conventual dos Carmelitas.

História

Igreja do Carmo
Fachada da igreja

A Igreja do Carmo, numa arquitectura maneirista, barroca, rococó, neoclássica e revivalista, é uma das muitas que atualmente se resume só ao templo religioso. Contudo, em tempos remotos pertenceu ao conjunto conventual dos Carmelitas.

São escassas as informações sobre o conjunto, sabendo-se porém que a sua fundação foi em 1635, a mando do Frei José do Espírito Santo.

O Convento dos Carmelitas Descalços ocupava inicialmente as instalações de um hospício situado no Campo de São Sebastião das Carvalheiras. Por insatisfação dos religiosos, estes foram levados a comprarem terrenos, iniciando as obras do conjunto conventual cerca de 20 anos depois. Procederam à transferência das instalações em 1655, apenas um ano depois de iniciado.

Em 1898 a fachada estava já em mau estado, e inclinada. Menos de dez anos depois ameaçava ruína, sendo assim criado um projeto para a sua reconstrução que ficou concluída em 1911.

Com a extinção das Ordens Religiosas, o convento veio a albergar o hospital militar, com os claustros a pertencerem desde 1918 ao Colégio do Carmo ou Colégio Dublin.

À semelhança de muitos conventos, este e os respetivos claustros foram edificados em torno da igreja.

Em 1963 os Padres Carmelitas Descalços voltaram para Braga e ficaram nas dependências no lado nascente da igreja, onde permanecem até agora.

Em 2 de março de 2013 foi inaugurado o Núcleo Museológico do Carmo.

Fachada

A fachada veio a sofrer profundas modificações no início do século XX. Acabou por tomar o aspeto de dignidade neobarroca através dos seus cinco registos, tendo como base a torre central e dando a ideia de um trono de vários andares.

Torre

Estes cinco registos, separados por duplas cornijas, são formados pelo térreo, com três arcos de volta perfeita. O arco central é o maior, que permite o acesso ao endonartex e por sua vez ao interior do templo. Os laterais davam acesso às antigas dependências conventuais.

O segundo registo possui uma rosácea e dois painéis em relevo com florões. O terceiro registo é formado por dois janelões em arco perfeito, o quarto é formado pelo relógio sobreposto pela sineira em arco pleno e o quinto e último termina a torre com cúpula em lanternim e fogaréus nos cunhais e por cima a imagem de Nossa Senhora do Carmo.

Pilastras separam verticalmente a fachada em cinco partes. No piso térreo, as limites e a central são rasgadas pelas portas, enquanto a central se prolonga até ao topo da torre. As quatro pilastras mais exteriores são rematados por platibanda sobrepostas por imagens veneradas pelos Carmelitas.

Claustro

O pequeno claustro maneirista é recortado por arcadas perfeitas encimadas por janelas de verga reta. Ao centro está um chafariz barroco.

Estrutura e Decoração

Igreja do Carmo
Interior - Altar-mor
Igreja do Carmo
Interior - Coro

A planta da igreja é em cruz latina formada por nave única de quatro tramos e duas capelas laterais profundas no transepto. O cruzeiro é coberto por cúpula com retábulos joaninos e o endonártex é coberto por abóbada de berço.

O arco triunfal, que separa a capela-mor retangular da nave da igreja, é em talha dourada decorada por acantos e concheados e a capela-mor é coberta por cúpula estucada. O brasão da Ordem Carmelita centra a cúpula e nas paredes duas telas representam cenas da vida da Ordem. O retábulo-mor neoclássico em talha dourada é recente e foi executado baseado no da igreja do Bom Jesus.

As paredes são rebocadas e pintadas de amarelo com silhares de azulejos industriais do século XIX em branco e azul interrompidos por pilastras de granito. Contém retábulos barrocos em talha policroma a branco e dourado, do Senhor dos Passos no lado do Evangelho e do Senhor da Cana Verde no lado da Epistola.

A cobertura da nave em abóbada de lunetas, igualmente em granito com arcos a definir os tramos e pintura de florões.

O coro-alto assenta em arco abatido com balaustrada em madeira. Este é ladeada por mísulas de talha policroma a branco e dourado e decoração fitomórfica e uma carranca, onde se chega pelo coro-alto. Na mísula do lado do Evangelho está o grande órgão de tubos.

Por baixo do coro e junto da porta de entrada vemos as pias de água benta em mármore rosa.

As capelas laterais com retábulos em talha dourada são abertas por arcos perfeitos também em talha dourada. As capelas são dedicadas a Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora de Fátima do lado do Evangelho e dedicadas à Sagrada Família e ao Menino Jesus de Praga do lado da Epístola.

Na nave da igreja vemos ainda dois púlpitos, um de cada lado e em frente um do outro, adossados ao arco cruzeiro. O acesso é feito por escada de pedra helicoidal com a base no transepto.

 

Os braços do transepto terminam em retábulos de talha dourada de Santo Elias no lado do Evangelho e de São José no lado da Epístola. No lado do Evangelho está ainda a porta de acesso ao convento e no lado da Epístola a Capela do Crucificado.

Classificação

Muito recentemente, em 2012, entrou para a lista dos Imóveis de Interesse Público.

Localização

Coordenadas GPS: N 41 33.237' W 008 25.539'  (41.55395, -8.42565)

Referências

Braga, publicado em por

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