O Românico na Europa e em Portugal

Na época da Independência do Condado Portucalense o território limitava-se ao que atualmente está designado como todo o norte até ao rio Douro. É de facto por toda esta região que poderemos observar o estilo românico, sendo no Distrito do Porto a maior concentração.

O Românico na Europa

Contemplando um quase período final da Baixo Idade Média, o Românico tornou-se num verdadeiro ex-libris dominante da Europa entre os séculos XI e XIII, não obstante a verdadeira arte do Românico ser mais antiga que o termo do Românico.

Esta arte desenvolveu-se como tantas outras no período após queda do Império Romano, acabando por o Românico se impôr e assim constituir um estilo. Este estilo, com a queda do Império e a expansão do Cristianismo na Europa, viria a evidenciar-se nos templos religiosos.

Entretanto a Idade Média entra num período de estabilidade e crescimento comercial, cultural e religioso. É no aspeto religioso que se nota a maior evidência na Europa, em que entrou num "crescente entusiasmo religioso", com o aumento das peregrinações e principalmente com as cruzadas na libertação da Terra Santa. Esta foi a razão suficiente para que a Igreja da Europa venha a centralizar o poder sobre o pensamento e a vida da época, sendo por isso a responsável pela unificação da Europa depois do Império.

Caraterísticas do Românico

Os templos religiosos acabam por entrar numa dualidade entre o poder religioso da altura com o estilo românico que também predominava. Assim, os métodos e os materiais construtivos das igrejas acabam por sofrer alterações como o uso da pedra na construção e os telhados de madeira substituídos por abóbadas de berço e de aresta.

Com a principal característica mais frequente do estilo, é o uso da cruz latina como planta formada por paredes grossas, com contrafortes, sob o estilo de fortificações com recurso a ameias. As fachadas, simples e lisas, com muito poucas janelas, provocavam interiores bastantes escuros, sombrios e simples. Imperava o uso de arcos redondos ou abóbadas perfeitas (também designadas de abóbadas de berço) e os templos eram sobretudo formados por três naves, uma central e duas laterais. Neste plano de cruz latina estão incluídas as igrejas com caraterísticas de peregrinação e os Mosteiros das Ordens de Cluny e Cister.

O Românico em Portugal

À data da expansão do românico na Península Ibérica o Condado Portucalense constituía-se como um dos três distintos Reinos de Espanha, chegando este movimento até à zona que atualmente está designada de norte.

Com o estilo românico a surgir em Portugal no séc. XI, ainda na época do Condado Portucalense, também se deu a chegada das Ordens Religiosas como Cluny, Cister, Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, as Ordens Militares, Templários e Hospitalários, no enquadramento da Reconquista e organização do território.

Em consequência da Independência do Condado, e com a progressiva reconquista para sul, proporcionou-se o crescimento demográfico. A expansão da arquitetura românica em Portugal coincide com o reinado de D. Afonso Henriques, época em que se realizaram obras nas Sés do Porto, Coimbra e Lisboa e no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.

Sendo uma arquitetura predominantemente religiosa, o românico está muito relacionado com a organização eclesiástica, diocesana e paroquial, mosteiros de várias ordens, fundadas ou reconstruídas. Em Portugal a arquitetura românica, embora espalhada por todo o país, concentra-se essencialmente entre o Minho e Douro, formando uma rede muito densa com a cidade de Amarante a ser o epicentro.

 

  • Igreja de construção do século XIV de origem românica e reestruturada no século XVI, tem interior de três naves com púlpito renascentista adossado à nave central.
  • A Igreja de São Martinho de Candoso não tem provas de relevo que sustentem a data cronológica, sabendo-se apenas que em 1043 o templo religioso já existia.
  • Um templo da época do românico, do século XII (1136-1140), pertencente ao Mosteiro dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, conserva ainda alguns elementos da origem.
  • A Igreja de São Martinho de Mouros é considerada uma das mais originais igrejas do românico portuguesas pelas soluções construtivas empregues.
  • Datada do século XVI, atualmente já nada existe da origem românica.
  • A Igreja de São Sebastião, Matriz de Vila Nova de Paiva, é uma construção românica do século XI ou XII, mas com obras de reconstrução entre os século XVIII e XX e com caraterísticas barrocas no...
  • Igreja de São Miguel, templo românico de nave única, tetos de madeira e portal de arco quebrado com duas arquivoltas molduradas.
  • Igreja Matriz de Valença, também conhecida como Nossa Senhora das Dores, é um templo românico do século XIII, tendo perdido a traça original devido ao restauro.
  • A Igreja de Santa Maria de Viade, é considerada como a mais antiga do barroso. Ainda com vestígios românicos, possui um cachorro que indica o limite da primeira construção da igreja.
  • As significativas obras que a Igreja de Vila Chã de Braciosa sofreu no séc. XVIII vieram alterar completamente a origem, da qual subsistem alguns vestígios quer nas fachadas laterais quer no...
  • Igreja dedicada a S. Pedro, sendo a sua data dos finais do séc. XVII, combina elementos românicos como a torre e barrocos como a igreja.
  • Um dos testemunhos e ex-libris da aldeia que remonta ao período do românico, a também conhecida Igreja de Santa Maria, é a demonstração da antiguidade da localidade.
  • Igualmente com o nome de São João Baptista, a sua edificação pertenceu ao românico, vindo a ser reconstruída no séc. XVI e mantendo a forma até hoje.
  • A igreja que hoje conhecemos é o resultado de obras realizadas no séc. XVIII, remontando as suas fundações ao séc. XII, confirmado por uma lápide no interior do templo.
  • Um templo religioso do período do românico em que a igreja atual é supostamente uma edificação do decorrer do século XVIII, tendo-se perdido por completo o original.
  • Um belo e simples exemplar da arquitetura românica nos templos religiosos no interior do País, em que a sua cronologia remonta aos finais do românico, possivelmente entre os séculos XIII e XIV.
  • Sendo o seu orago São João Baptista, a edificação remonta ao período do românico, com uma reconstrução do séc. XVIII.
  • Esta igreja foi devorada por um incêndio em julho de 1973, tendo sido reconstruída em 11 meses. É uma igreja moderna, em granito polido e mármore.
  • Igreja românica do século XII
  • Igreja românica de Guilhofrei, dedicada a São Tiago.