Situado no Monte do Bom Jesus, o Santuário tornou-se no espelho de uma cidade baseada no poder eclesiástico que detinha na altura. Ficou a ser um verdadeiro conjunto paisagístico e serviu igualmente de inspiração para outros santuários.

O Santuário em Braga

Santuário do Bom Jesus

Situado no Monte do Bom Jesus, o Santuário tornou-se no espelho de uma cidade baseada no poder eclesiástico que detinha na altura. Ficou a ser um verdadeiro conjunto paisagístico e serviu igualmente de inspiração para outros santuários.

Como tal, não podemos dissociar a figura do Arcebispo de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles, que basicamente conferiu este projeto ao colocar as suas armas no pórtico que dá início ao percurso da escadaria até ao topo.

O conjunto integra a Basílica, que foi elevada a esta categoria em 2015, um escadório referindo a Via Sacra do Bom Jesus, um funicular, uma mata que está transformada em parque e uma área de lazer com restauração e hotéis.

Construção

Remonta ao ano de 1494, quando neste lugar teve início o primeiro templo religioso por ordem do então Arcebispo de Braga, D. Jorge da Costa, e que só viria a terminar no século XIX.

Durante este período o conjunto religioso vai ganhando forma, completando uma ideia inicial, que teve início em 1522 e fim em 1629, de dar uma simbologia da Paixão de Cristo associada a um percurso através do monte. Neste percurso surgiram então seis capelas, casas para os romeiros e a eleição de um ermitão.

Baseado no que estava construído, a conjugar com o poder eclesiástico, culminou no século XVIII com um novo projeto do Arcebispo de Braga D. Rodrigo de Moura Teles e D. Gaspar de Bragança, na reformulação, uniformização e definição do percurso.

Assim, em 1722 este renovado percurso teve início no pórtico, em que estão gravadas as armas do Arcebispo em causa. Seguiram-se então oito novas capelas e as respetivas fontes com as configurações mitológicas, no verdadeiro confronto entre a Verdade e Fé Cristãs, com a Falsidade emanada nos outros cultos.

Escadório - Pórtico, o Início

Pórtico
Pórtico
Pórtico
Pórtico
Pórtico
Entrada
Pórtico
Primeiras capelas

O Pórtico do Bom Jesus está situado junto da entrada do funicular. Do século XVIII, construído em granito escuro em estilo tardo-barroco, chegamos lá por uma pequena escadaria, um pequeno sinal dos muitos degraus que teremos que subir até chegarmos ao final. Esta pequena escadaria é ladeada por duas fontes de mergulho.

Pórtico
Pormenor do Pórtico

No topo do pórtico vemos um brasão de sete castelos do Arcebispo de Braga D. Rodrigo de Moura Teles, completado com a esfera armilar no interior e a cruz cardinalícia a rematar.

Nas bases das colunas do pórtico, e enquanto subimos a escadaria, vemos duas fontes, a do Sol à nossa esquerda e a da Lua à nossa direita.

O escadório tem no total um desnível de 116 metros, divididos em três lanços. As capelas da Via Sacra estão situadas nas laterais de um percurso em ziguezague.

Capelas - 1º Percurso

Esta primeira parte é uma escadaria em ziguezague pelo meio da mata, com o percurso ladeado pelas capelas da Via Sacra. Estas capelas contém esculturas em tamanho quase natural que mostram cada um dos passos da Via Sacra. As capelas não correspondem na totalidade ao original, uma vez que foram quase todas alteradas no final do século XIX.

A primeira parte contrasta em absoluto com a segunda parte que já se situa em terreno aberto e na escadaria que sobe direta até ao Santuário.

Capela da Via Sacra
Via Sacra - 1ª e 2ª Capelas

No primeiro patamar, junto do pórtico, aparecem-nos logo as duas primeiras capelas da Via Sacra. A primeira, a Capela da Última Ceia é datada do início do século XVIII.

A segunda capela, a Capela da Agonia, representando o Horto de Gethsemani, teve o seu interior reconstruído em 1788. Mostra Cristo, os três apóstolos e um anjo que tem na mão a Cruz e o Cálice da amargura.

Capela da Via Sacra
Via Sacra - 3ª e 4ª Capelas

Continuando a subir alonga escadaria chegamos à Capela da Prisão onde Judas enfrenta Jesus e O trai. A estas duas figuras, que são as originais, juntaram-se as restantes nove após um peditório da Comissão dos Amigos das Capelas. Assim encenam a situação no momento da Prisão de Jesus e Judas a enforcar-se. Junto da capela está a Fonte de Diana.

Em frente desta capela vemos a Capela das Trevas onde vemos a imagem de Cristo com as ma?os atadas e olhos vendados. Junto da capela está a Fonte de Marte que representa a guerra e a brutalidade.

Capela da Via Sacra
Via Sacra - 5ª e 6ª Capelas

No patamar seguinte vemos a Capela da Flagelação ou dos Açoites ladeada pela Fonte de Mercúrio. Nesta capela vemos Cristo preso a uma coluna, a única imagem presente.

Junto desta está a Capela da Coroação, com Jesus a ser coroado de espinhos por dois soldados hebreus. Junto desta capela está a Fonte de Saturno. Nas festas saturnais da Roma antiga os chefes humilhavam-se e serviam os servos. Nesta capela Jesus humilha-se perante os soldados.

Capela da Via Sacra
Via Sacra - 8ª e 7ª Capelas

Aqui chegamos a um amplo terreiro com vista sobre a cidade de Braga, um local de descanso. A sétima capela desta Via Sacra, no lado direito, a Capela do Preto?rio de Pilatos ou do Ecce-Homo, mostra Pilatos a exibir Jesus ao povo.

A oitava capela, no lado esquerdo, a Capela da Subida ou Caminho do Calva?rio, mostra Jesus sob o peso da cruz a caminhar para o Calvário. Junto com Jesus estão outras imagens a representar Maria Madalena, Vero?nica e Nossa Senhora das Dores, entre outras figuras.

Terreiro das Chagas e Fonte da Paixão

A primeira parte do percurso termina no Terreiro das Chagas com a fonte relacionada com a Paixão.

Capela da Via Sacra
Terreiro das Chagas e Fonte da Paixão

No lado direito da fonte, para quem aqui chega, está a Capela das Quedas ou do Cireneu. Aqui Jesus, a caminho do Calvário, não aguenta o peso da cruz e cai por terra por três vezes. Simão Cireneu é chamado a auxiliar, levando a cruz.

Em frente desta, no mesmo patamar, vemos a Capela da Crucifixão, representa o Monte do Calvário e Jesus a ser pregado na cruz. Outras imagens ladeiam esta cena, mostrando a Mãe de Jesus, Maria Madalena e S. João, além dos soldados e de outras imagens.

Segue-se um segundo troço de escadório, único troço visível do centro da cidade de Braga, dividido em duas partes. É um escadório formado por oito lances de escadas, intervalados por patamares, com cada uma das respetivas fontes ladeada por duas estátuas bíblicas ou mitológicas.

A primeira pertence aos Cinco Sentidos, em que cada fonte representa um sentido. Por ordem de baixo para cima, está a visão, audição, olfato, paladar e tato. A segunda, desenvolvida à semelhança dos cinco sentidos, pertence às virtudes, simbolizando a Fé, Esperança e Caridade.

Esta última parte já é atribuído ao Arcebispo D. Gaspar de Bragança, responsável pela ampliação do Santuário.

Escadório - 2º Percurso - Cinco Sentidos

Fonte da Visão
Fonte da Visão

FONTE DA VISÃO é caraterizada pela figura que lança água pelos olhos. Uma águia, simbolizando a visão, encima a fonte. Vemos a figura central identificada por "Vir Prudens", no nosso lado esquerdo a estátua de Moisés e no lado direito a estátua do Jeremias.

Fonte da Audição
Fonte da Audição

FONTE DA AUDIÇÃO é caraterizada pela figura que lança água pelos ouvidos. Tem uma estátua de Idito, ou Orfeu, e vemos no lado esquerdo a estátua do Rei David oposta no lado direito pela Esposa dos Cantares tocando a lira.

Fonte do Olfato
Fonte do Olfato

FONTE DO OLFATO é caraterizada pela figura que lança água pelo nariz, ladeada por dois cães que representam o olfato apurado. Vemos à esquerda a estátua de Noé e à direita a estátua de Sunamites ou Sulamita.

Fonte do Paladar
Fonte do Paladar

FONTE DO PALADAR é caraterizada pela figura que lança água pela boca. Por cima está a imagem bíblica de José do Egito, e vemos à esquerda a estátua de Jónatas e à direita a estátua de Esdras.

Fonte do Tato
Fonte do Tato

FONTE DO TATO é caraterizada pela figura que segura uma bilha com as duas mãos, de onde lança a água. Uma aranha simboliza o tato. A imagem de Salomão, por cima da fonte, está ladeada no lado esquerdo pela estátua de Isaías e à direita pela estátua do Isaac o Cego.

Escadório - Três Virtudes

Fonte da Fé
Fonte da Fé

FONTE DA FÉ vemos como figuras alegóricas ao centro a Fé, uma mulher vendada. À esquerda vemos a Docilidade e à direita a Confissão em que uma mulher segura as Ta?buas da Lei de Moisés, Os Dez Mandamentos, apontando para o primeiro "amara?s a Deus sobre todas as coisas".

Fonte da Esperança
Fonte da Esperança

FONTE DA ESPERANÇA que representa a arca de Noé, tem como figuras alegóricas ao centro uma mulher que segura uma âncora, na esquerda a Confidência, uma mulher que segura um nacio representando a arca de Noé, e á direita a Gloria.

Fonte da Caridade
Fonte da Caridade

FONTE DA CARIDADE tem como figuras alegóricas uma mulher que segura nos brac?os dois meninos ladeada pela Benignidade à esquerda, numa mulher coroada pelo Sol, e a Paz à direita numa mulher com um ramo de oliveira.

Terreiro de Moisés

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Terreiro de Moises 1 6e5c8

TERREIRO DO MOISÉS com a fonte do Pelicano e a estátua do São Longuinho, dá-se por finalizada o maravilhoso escadório do Santuário do Bom Jesus do Monte. Faz a ligação com o Santuário, sendo também o ponto de chegada ou partida do funicular.

O templo que anteriormente se situava no final do escadório dos cinco sentidos foi destruído para dar lugar ao atual. Segue agora uma linha neoclássica com uma depuração decorativa, em que se destaca o corpo central coroado por um frontão e ladeado por duas torres.

A Basílica - Estrutura e Fachada

Santuário do Bom Jesus
Recinto
Santuário do Bom Jesus
Lateral norte
Santuário do Bom Jesus
Lateral sul
Santuário do Bom Jesus
Traseira e anexos

O Santuário atual, uma das primeiras construções em estilo neoclássico português, teve a sua primeira pedra lançada em 1 de junho de 1784. Foi terminado em 1811 mas sagrado apenas em 10 de agosto de 1857.

A basílica, com uma planta de cruz latina, é formada por nave e capela-mor com as duas capelas laterais.

Santuário do Bom Jesus
Fachada

A fachada é constituída pela parte central, tendo a ladear duas torres sineiras.

O pano central é formado pelo rasgo do portal principal, em verga reta. É ladeado por quatro colunas toscanas, dóricas, em que de cada lado está um par de colunas tendo no meio um nicho de volta perfeita com frontão triangular, contendo uma imagem em pedra respetivamente de Jeremias e Isaías.

Está encimado por três janelas, em que a central é de dimensões maiores e em arco de volta perfeita, com as duas mais pequenas a ladear, em moldura reta e com tímpano em arco abatido. Os quatro Evangelistas separam e ladeiam estas janelas, S. Marcos, S. Mateus, S. Lucas e S. João. Sobre a janela central está o brasão de D. João VI pela sua atitude de benfeitoria do santuário.

Estas janelas possuem uma sacada e guarda em pedra que assentam nas colunas que ladeiam o portal.

A rematar a fachada, o frontão triangular. A ladear estão as duas torres sineiras retangulares, as quais possuem quatro janelas de moldura reta e sobrepostas, duas em cada torre. Cada torre têm quatro sinos, nos quatro lados, e a rematar a cobertura é bolbosa.

Interior da Basílica

A Nave

Santuário do Bom Jesus - nave - altar-mor
Nave da Igreja
Santuário do Bom Jesus - nave - entrada
Entrada
Santuário do Bom Jesus - teto da nave
Teto

No interior da igreja em cruz latina vemos a nave com abóbada de berço e seis janelas, com o coro-alto, o órgão de tubos no lado do Evangelho e três altares de cada lado.

O transepto tem as habituais capelas nos topos e pinturas com elementos geométricos e fitomórficos e os púlpitos, um de cada lado, nas pilastras que ligam o transepto à nave. O cruzeiro é encimado por uma cúpula e nas paredes laterais as estátuas dos quatro doutores da Igreja.

Nas capelas laterais evidenciam-se o Santíssimo Sacramento e a Senhora da Soledade. Nas paredes laterais estão pintados dois quadros em forma oval.

A capela-mor, pouco profunda, é iluminada por três janelas de cada lado. O altar-mor é formado por uma única pedra granítica. O retábulo-mor é constituído pela cena do calvário, que representa o final da Via Sacra que iniciou nas capelas na base da escadaria. Estes dois últimos elementos estão cobertos por um baldaquino dourado sustentado por quatro imponentes colunas jónicas com fuste em caneluras.

Capela-Mor

Santuário Bom Jesus - capela-mor - retábulo
Retábulo
mor
Santuário do Bom Jesus - capela-mor lateral direita
Capela-mor
lateral dta
Santuário do Bom Jesus - capela-mor lateral esquerda
Capela-mor
lateral esq
Santuário do Bom Jesus - teto da capela-mor
Teto

Teto em Cúpula do Cruzeiro

Santuário do Bom Jesus - teto do cruzeiro
Teto do cruzeiro

Capela Lateral Direita

Santuário do Bom Jesus - interior - capela lateral direita
Interior
Santuário do Bom Jesus - altar - capela lateral direita
Altar

Capela Lateral Esquerda

Santuário do Bom Jesus - interior - capela lateral esquerda
Capela
Santuário do Bom Jesus - altar - capela lateral esquerda
Altar

Altares da Nave no lado direito

Santuário do Bom Jesus - altares laterais direita
Santuário do Bom Jesus - altar lateral direita
Santuário do Bom Jesus - altar lateral direita

Altares da Nave no lado esquerdo

Santuário do Bom Jesus - altares laterais esquerda
Santuário do Bom Jesus - altar lateral esquerda
Santuário do Bom Jesus - altar lateral esquerda

Parque / Mata

Parque
Parque
Parque
Parque

O parque ou mata está incluído no conjunto do Santuário, situado nas traseiras do edifício e com um muro que o cerca, limitando a área do Santuário. Esta mancha verde convida a todos os visitantes, peregrinos ou não, a explorar por algum tempo na contribuição de dar um descanso ao corpo.

Parque
Parque
Parque

Esta zona verde que à partida parece ser um simples parque, a sua dimensão transforma-a numa mata. Esta permite que todos os visitantes poderem usufruir de um espaço verde, por entre uma mancha de raridades diversificadas de vegetação. Os pequenos e estreitos caminhos e arruamentos fazem-nos alcançar variadas grutas, lagos, miradouros. Para terminar esta inclusão religiosa, seguida de lazer, nada melhor que um bom descanso à sombra para uma boa refeição.

O elemento água é fundamental neste espaço. Sendo um dos elementos fundamentais da vida humana, vai de encontro à ideia alcançada no escadório, com a água a servir também de base para as respetivas fontes.

A ideia de uma mata/parque começou a ganhar forma em 1806, a título de oferta por parte do Governo. Entretanto, só em 1877 foi possível um plano de um espaço verde desta grandiosidade, tendo como pano de fundo um lago, com arruamentos e caminhos, a plantação de árvores e arbustos, e mais.

Restauração

Recinto
Recinto
Recinto
Recinto

Para não fugir à regra e terminar o conjunto do Santuário do Bom Jesus do Monte, há que referir a existência de alguns hotéis, restaurantes e cafés, pequenos jardins muito bem arranjados, com um deles a fazer ligação de entrada para o parque, um coreto, miradouro e outros elementos.

Todos estes elementos ligados à restauração estão situados nas partes laterais da Basílica, em que o recinto que os une também se liga ao Terreiro de Moisés, dando acesso ao interior da Igreja.

Classificação

Estando anteriormente classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1970 e como Monumento Nacional, foi entregue em 30 de janeiro de 2018 a candidatura do “Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga” à Lista do Património Mundial.

Em julho de 2019 o Santuário do Bom Jesus do Monte foi finalmente classificado como Património Mundial da Humanidade.

Localização

Coordenadas GPS: N 41 33.280' W 008 22.649'  (41.55467, -8.37748)

Referências

Tenões, publicado em por

 

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