Situada num pequeno monte a sul da povoação, a ermida de Nossa Senhora do Fetal também se veio a transformar num Santuário, à semelhança de muitos outros.

Ermida de Nossa Senhora do Fetal
Ermida de Nossa Senhora do Fetal

Contudo apresenta-se um pouco distante dos outros, devendo talvez à situação de proximidade com o Santuário de Fátima. Tal como os outros, este Santuário também tem a sua origem numa lenda.

A Lenda

Segundo reza a lenda em que se baseia, e não podia ser de outra maneira, uma pastorinha andava a pastar o seu rebanho de ovelhas tísicas, só com pele e osso, e ela própria ali, cheia de fome, ao ponto de a sua tristeza a levar a um choro desmedido.

A certa altura, e durante o seu choro, ergueu o seu rosto lavado em lágrimas e viu com surpresa, pelo meio de um tufos de fetos, uma estranha Senhora que lhe perguntou o porquê daquele choro. Com a explicação que a situação era provocada pela fome que tinha, teve como resposta da Senhora para ir ter com a Mãe e pedir-lhe pão, à qual a pastorinha disse que já tinha pedido, e de nada adiantou.

Após a insistência da Senhora, a menina regressou a casa e pediu novamente pão à Mãe, dizendo-lhe que foi a mando de uma mulher, e que o pão estava na arca. O espanto foi de tal maneira que, inacreditavelmente, o pão parecia acabado de ser feito, fresco, saboroso, parecendo ser amanhado mais por mãos de anjos do que por um hábil padeiro.

A menina voltou ao lugar onde a Senhora tinha aparecido, desta vez satisfeita e alegre. Novamente pôde ver e dialogar com a Senhora que disse à menina para transmitir às gentes do seu lugar que "Eu sou a Mãe de Deus" e que queria que edificassem uma ermida naquele lugar do Fetal, louvada e venerada.

A partir daqui o acontecimento espalhou-se mais rápido que a corrente de um rio. Àquele lugar acorreu um dos maiores e justificado alvoroço, de gente esperançada, achando naquele sítio uma pequenina e misteriosa imagem da Nossa Senhora e junto dela uma fonte, com cujas águas começaram a alcançar graças do céu.

Origem do Culto

Assim a origem do culto teve como padrão a tradição oral, e depressa se ergueu uma pequena Ermida com a veneração dos fiéis à miraculosa imagem da Senhora ali encontrada. Esta edificação foi realizada com dinheiro das promessas e de outras esmolas.

Ignora-se completamente a época em que se deu a aparição, tal como a data de construção da primitiva Ermida de Nossa Senhora do Fetal. Com a crescente peregrinação de fiéis durante todo o ano à pequena Ermida, mais tarde, concretamente em 1585, edificou-se um templo religioso mais amplo e sumptuoso.

A importância deste Santuário tornou-se tão grande que o rei D. Duarte confirmou a provisão da antiga confraria, permitindo que a colheita de esmolas fosse para manter o culto. O Santuário chegou a ter dois capelões para atender aos fiéis e celebrar todos os dias duas missas, e por provisão de D. João III era distribuído um bodo aos Confrades e Modormos.

Seguindo-se a mesma intenção, em 1791 e também por provisão, D. Maria I autorizou uma feira franca no 1º Domingo de Outubro. A importância do Santuário continuou com a contribuição do Bispo de Leiria, D. Manuel de Aguiar, ao hospital que dele tomou nome boa parte das ofertas feitas pelos fiéis ao Santuário de Nossa Senhora do Fetal. Mandou da Sé de Leiria para ali dois artísticos altares com retábulos de talha e colunas salomónicas.

Por altura de 1896, já o Santuário de Nossa Senhora do Fetal era dos mais conhecidos e visitados. D. José III, Cardeal Patriarca de Lisboa, ordenou ali preces públicas de AD PETENDAM PLUVIAM, a que se associaram as freguesias circunvizinhas, nomeadamente a de Fátima, alcançando do Céu chuva abundante para rega dos campos.

Conjunto do Santuário de Nossa Senhora do Fetal

Ermida

Ermida de Nossa Senhora do Fetal
Ermida de Nossa Senhora do Fetal
Ermida de Nossa Senhora do Fetal

A Ermida desenvolve-se longitudinalmente, de uma planta retangular formada por nave e capela-mor, com a fachada principal para poente, de uma depuração arquitetónica e bem conservada.

Está delimitada por pilastras nos cunhais e termina em empena triangular com remate de pináculos e uma cruz ao centro. Também ao centro, abre-se o rasgo do portal principal em linhas retas encimado por um janelão de verga ligeiramente abaulada, e a ladear estão duas janelas quadradas.

A sineira ergue-se no lado do evangelho. A fachada norte é constituída por uma varanda alpendrada, com cinco pilares toscanos, onde se encontra a porta lateral e a casa das promessas. A fachada sul apresenta três rasgos, duas janelas em verga reta que iluminam a nave e uma na capela-mor com as linhas abauladas.

Na nave existe um rasgo maior relativo a uma porta lateral em verga reta, que se encontra encerrada.

Casa dos Romeiros

Ermida de Nossa Senhora do Fetal

Inicialmente este edifício foi criado com a intenção de alojar todos os peregrinos que se deslocassem à Ermida. Atualmente serve para apoio às romarias e festas que ali possam realizar, eventos, apoios técnicos aos escuteiros que aqui acampam, entre outros.

Edifício do século XVII, com uma planta retangular e de dois pisos, a fachada principal está orientada a norte. O piso inferior apresenta dez arcos de volta perfeita, que dão acesso à entrada do edifício. O piso superior apresenta sete janelas, todas elas de linhas retas.

Capela da Memória

Capela da Memória
Capela da Memória

Muito próxima da Ermida, a Capela da Memória não apresenta qualquer tipo de informações histórica ou cronológica.

Capela de dimensões reduzidas, a arquitetura denota uma depuração extrema. Desenhada numa planta retangular, e ao contrário das outras, esta tem a abertura principal na fachada sul e uma outra abertura de janela, em linhas retas, orientada a nascente.

Classificação

O conjunto do Santuário formado pela Ermida, pela Casa dos Romeiros e pela Capela da Memória, está classificado como Imóvel de Interesse Público desde o ano de 2002.

Localização

Coordenadas GPS: N 39 38.193' W 008 45.764'  (39.63655, -8.76273)

Temas / Tags

Reguengo do Fetal, publicado em por