Em Almear existia um antigo farol, dai o seu nome Almenara, Alumiar e finalmente Almear.
Almear

Em Almear existia um antigo farol, dai o seu nome Almenara, Alumiar e finalmente Almear.

Teve um ilustre filho da terra chamado Laudelino Miranda Melo que, entre outras coisas, escreveu o livro: Travassô e Alquerubim e Outras Localidades da Região Vouga, Gráfica Aveirense, 1942.
O seu nome está associado à principal rua do lugar de Almear, a sua casa ainda existe e sobre um dos seus lados em azulejo (quem vem no sentido Aveiro-Agueda) pode ler-se: ALMENARA.
No referido livro, escreveu sobre o farol que existiu em Almear o seguinte:

"Senhores, tudo isto é muito curioso!: - estradas no fundo de lagos fundos; barcos que subiam os rios e mal se lhes viam os mastros; pontes construídas umas sobre as outras... (isto tudo relativamente há pouco tempo, 150 anos mais ou menos!) e ainda existem pessoas a porem em dúvida que, há mil ou mil e duzentos anos, águas salgadas chegassem a Segadães, e que em Almear houvesse farol, e em Alquerubim houvessem salinas... Como se tudo isto não fosse tão natural!... e como se o que ainda hoje se pode constatar, e que mencionámos, não fosse muito elucidativo!..."

Por: Joao Lopes

“Almenara” é a forma registada pelos dicionaristas, significando lanterna, farol, fogos de aviso. É com este último sentido que encontramos o vocábulo em Fernão Lopes: «E faziam do logar [de Almada] toda a noite ao Mestre muitas almenaras […]» (Crónica de D. João I, vol. 1, cap. 136).

Segundo Mário Fiúza (Elucidário, 1: 398), a manutenção do -n- intervocálico, em pleno século XV, «prova-nos que o vocábulo foi importado pelo cast. Almenara, "señal que se hace con fuego em lugar elevado" que se regista desde 1250». No entanto, as formas sem -n-, “Almiar” ou “Almear” e “Almiara”, dos topónimos do concelho de Águeda (na inquirição de D. Afonso II, de 1220, já esta povoação fronteira de Eirol aparecia sob a forma “Almeara”, sem o ‑n‑ intervocálico) e de Montemor-o-Velho, o primeiro dos quais deu o nome à ponte que franqueia o rio Águeda (atual Ponte da Rata), pouco antes deste desembocar no Vouga, legitimam a hipótese de recepção anterior do vocábulo que, quanto a nós, poderá ter sido diretamente importado do árabe, já no século VIII, antes da queda do -n- intervocálico.

Por: M.J.Carvalho
Travassô, publicado em por