História romana de Setúbal e a evolução

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As Origens

Segundo o comprovam os vestígios encontrados, a ocupação humana desta região remonta ao período da Idade do Ferro. Encontraram-se também vestígios de ocupação fenícia, na freguesia de S. Sebastião.

Os romanos, de que se encontraram importantes vestígios, estabeleceram aqui nos séc. I a IV um importante núcleo comercial, ocupando as duas margens do rio Sado, com a denominação de Cetóbriga, que é integrada na Lusitânea em 13 a.C. Esta povoação, de que podem ser vistas as ruinas na península de Troia, já teria existido no tempo dos celtas. Tal facto é demonstrado pelo sufixo -briga.

Já nesta época, da ocupação romana, a região era um grande centro de preparação e exportação de derivados de peixe para regiões tão distantes como a Itália e o norte da França. Em conjunto com a preparação do peixe, existia também o fabrico de materiais necessários a esta indústria, tais como redes, anzóis, olarias, fornos, salinas e produtos agrícolas para os respectivos trabalhadores.

Entre os vestígios romanos, encontrou-se por exemplo uma ânfora intacta cheia de moedas romanas, que está actualmente no Museu de Setúbal.

Por Cetóbriga (Setúbal) passava a via que unia Olissipo (Lisboa) a Emerita Augusta (Mérida, em Espanha), na altura a capital da Lusitânea. Desta via, que tinha origem em Equabona (Coina), ainda são visíveis alguns troços.

O Declínio Depois dos Romanos

As invasões bárbaras e os árabes, após a queda do Império Romano (séc. VI d.C.), fizeram com que esta região perdesse importância e até que fosse abandonada. Também a indústria de preparação e exportação de peixe e seus derivados foi abandonada. As areias do rio Sado, que apesar de tudo manteve a designação de rio de Cetóbriga, acabaram por inundar toda a região.

Durante a dominação árabe, o rio Xetubre (o rio Sado) era muito utlizado como meio de comunicação para o interior. Este nome, Xetubre, deriva por corrupção da denominação anterior do rio e da povoação, Cetóbriga. A denominação da povoação teria por sua vez derivado do nome atribuido pelos árabes ao rio Xetubre, tendo daí derivado o nome actual, Setúbal.

A Conquista e a Ordem de Santiago

Com a reconquista de Lisboa aos mouros, no séc. XIII, a Ordem de Santiago de Espada, a quem tinha sido doadas por D. Sancho II as terras de Almada, Palmela e Alcácer do Sal, também reconquistadas, fez renascer o povoado de Setúbal. Esta região pertencia ao termo de Palmela.

A Ordem de Santiago construiu a igreja de Santa Maria da Graça, em 1248, iniciando assim o processo para a criação da freguesia de Setúbal. O Mestre desta Ordem, D. Paio Peres Correia, atribuiu a Setúbal a primeira carta de foral em Março de 1249 pela ajuda que os setubalenses terão dado na conquista de Faro. A povoação, ainda pertencente ao concelho de Palmela, recomeçou a desenvolver-se principalmente graças à agro-pecuária, à pesca e à construção naval, além da exploração e comércio do sal.

Conta uma lenda que, no séc. XIII, uma mulher acendeu uma fogueira que foi alimentando com pequenos paus ou troncos que apanhava da praia. Um dos pedaços, sempre que era lançado na fogueira, volta a saltar da mesma com um estranho barulho. Vendo melhor, reparou que era uma pequena imagem de Nossa Senhora. Logo esta imagem foi considerada como milagrosa, sendo erigida uma ermida naquele local, a que deram o nome de Anunciada. Este nome ainda hoje se mantem numa das freguesias de Setúbal. A igreja da Anunciada era conhecida sob as invocações de Senhora da Água, Senhora Pequenina e Senhora Angelical.

O Séc. XIV e a Expansão

A situação geográfica na foz do rio Sado, permite a expansão até ao interior alentejano e a ligação entre esta região e o Mediterrâneo ou o Norte da Europa. Foi nesta altura, entre 1325 e 1375, construida a primeira cerca de muralhas à volta do que já era então a vila de Setúbal e delimitado o respectivo concelho.

Em 1458, para iniciar a conquista do Norte de África, o rei D. Afonso V parte de Setúbal com uma esquadra em direcção a Alcácer Ceguer.

O príncipe D. João II casou em Setúbal em 1471 com D. Leonor de Lencastre e, depois de ser aclamado rei, vai viver para Setúbal.

Durante o século XV a área urbana da vila de Setúbal foi progressivamente aumentando. Em 27 de Junho de 1514 D. Manuel I atribui nova carta de foral a Setúbal, devido à sua importância sócio-administrativa.

O séc. XVI: Setúbal é Vila

Setúbal foi elevada a vila em 1525, recebendo de D. Manuel I o título de Notável Vila.

Em 1533 o rei D. João III, que 8 anos antes lhe tinha atribuido o título de “notável vila”, aconselha a compra da quinta da Herdade, para expansão urbana, e em 14 de Março de 1553, o Arcebispo de Lisboa, D. Fernando, cria a freguesia de Nossa Senhora da Anunciada.

Durante os séculos XV e XVI, Setúbal torna-se um dos principais produtores de sal a nível nacional e um dos mais importantes a nível internacional.

Em 1553, Setúbal era composto por apenas duas freguesias, Santa Maria da Graça e S. Julião. Foram nesta altura incluidas outras duas, Anunciada e S. Sebastião.

Ainda no séc. XVI foi aberta a Porta de S. Sebastião para melhor expansão da vila para além das muralhas, expansão essa conseguida durante esse século e os seguintes.

O Século XVII: o Desenvolvimento

Após a Restauração de 1640, foi construida uma nova linha de muralhas. É durante o reinado de D. João IV que se inicia a lavoura e a pastorícia e se desenvolve a indústria do sal. Em 1657 a povoação recebe o título, pela rainha regente D. Luisa, de Muito Notável Vila. D. Pedro II faz desenvolver a indústria e o comércio em Setúbal e inicia a criação do bicho-da-seda, com a plantação de amoreiras. Esta actividade do fabrico da seda durou, contudo, pouco tempo.

Nasceu em Setúbal, em 1753, aquela que viria a ser uma das mais famosas cantoras portuguesas e que deu o nome a uma das avenidas de Setúbal, Luisa Todi.

O Século XVIII: A Reconstrução

No terramoto de 1755, tal como aconteceu em muitas localidades vizinhas de Lisboa, muitos dos monumentos de Setúbal foram parcial ou totalmente destruidos. Além da destruição provocada pelo próprio terramoto, também o mar invadiu a vila provocado por um violento maremoto. Segundo as ordens do Marquês de Pombal, a vila é reconstruida seguindo o estilo pombalino de ruas direitas e em ângulo recto.

Em 1765 nasce o futuro escritor e maior poeta de Setúbal, Manuel Maria Barbosa du Bocage. Este utilizou o pseudónimo Elmano Sadino. Recorde-se que se designam por sadinos (do rio Sado) os habitantes de Setúbal.

Em Novembro de 1807, Setúbal transforma-se no Quartel General das tropas napoleónicas, comandadas por Junot, situação esta que termina em 1814.

Em 1834 Setúbal, que antes era a cabeça de uma comarca do Alentejo com 16 concelhos, passa a ser um concelho do distrito de Lisboa.

Em 1855 os concelhos de Azeitão e Palmela são extintos, e estas integrados no concelho de Setúbal.

Em meados do séc. XIX há grandes transformações em Setúbal, com melhoramentos no porto e nas ruas e construção de novas estradas, inicia a ligação com Lisboa por barco e é construida a linha férrea de Setúbal a Pinhal Novo em 1861. Foi também nesta altura que começou a decair a exploração e indústria do sal. Começa contudo uma nova indústria, a das conservas de sardinha.

Esta nova indústria faz desenvolver a região economicamente, o que vem tornar Setúbal um importante centro comercial e industrial de Portugal. Este desenvolvimento levou à elevação a cidade em 19 de Abril de 1860.

Século XX: O Distrito de Setúbal

Setúbal é sede de distrito desde 1926. O concelho de Palmela é criado em 1926, separado do de Setúbal. A diocese de Setúbal foi criada em 16 de Julho de 1975.

Actualmente, a agricultura e a pesca ocupam apenas cerca de 5% da população activa, sendo o restante dividido pela indústria (produtos metálicos, equipamentos e materiais de transporte, montagem de automóveis, celulose e pasta de papel, artes gráficas, alimentação e bebidas) e pelos serviços (comércio, hotelaria, transportes e comunicações, construção e obras públicas, serviços sociais e colectivos).

Setúbal (Cidade), , por: