Lagar
O Lagar

Iluminados por candeias de azeite na chamada “Casa Santa”, o Mestre e o Moço atarefados, procediam à árdua e sapiente lida de extracção do tão desejado fio de ouro!

Desviando a água da Ribeira do Carvalhal da Levada para o Lagar, esta caía sobre a roda hidráulica de madeira produzindo o seu funcionamento, acionando o movimento de uma galga que esmagava a azeitona e os caroços, obtendo uma polpa denominada por baganho.

Introduzindo o baganho dentro de seiras circulares feitas de esparto, estas empilhavam-se no “encereidoiro” colocando uma tampa redonda e uns malhais no topo, para serem prensadas pela vara, um grosso tronco de sobreiro movimentado por um fuso manual, para obter uma mistura composta por azeite e água.

O Mestre aplicando a sua perícia e sabedoria, com a ajuda do Moço, e com a presença dos clientes, procedia à separação e decantação da mistura na tarefa, saindo a totalidade da água praticamente sem qualquer vestígio de azeite!

Num ambiente acolhedor, onde o lagar trabalhava 24 horas por dia, partilhavam-se histórias, lendas e costumes comemorando e agradecendo o trabalho executado pelos Lagareiros com uma “Tibornada”, executada no próprio Lagar, acompanhada com vinho, aguardente e broa.

Saudosos os tempos do aroma do azeite e do som do rodízio…

Candosa, publicado em por